O forte volume de chuvas registrado no distrito de Catingal, no município de Manoel Vitorino, provocou transtornos graves para moradores e motoristas que dependem da estrada que liga a comunidade à região de Jequié. Com mais de 100 milímetros de chuva, as represas da propriedade conhecida como “seu Henoch” voltaram a sangrar sobre a estrada, bloqueando o tráfego de veículos por quase um dia inteiro.
A situação foi marcada por cenas de dificuldade e desespero. Carros ficaram atolados, outros veículos foram abandonados no meio da estrada e caminhões passaram horas sem conseguir atravessar. Em alguns casos, a única solução foi contar com a solidariedade de populares, que empurraram veículos na força do braço para liberar a passagem.
Uma família, que preferiu não ter os nomes revelados, viveu momentos de tensão ao retornar de um final de semana na região. Sem conseguir atravessar o trecho alagado, deixaram o carro trancado ao lado da estrada e seguiram a pé, segurando nos arames da cerca para não serem levados pela correnteza. Com a ajuda de moradores, conseguiram carona até o distrito de Catingal.
Outro caso que chamou atenção foi o de um jovem que quase perdeu totalmente sua motocicleta, arrastada pela enxurrada. Dois caminhões também ficaram praticamente o dia inteiro impedidos de passar pelo local, evidenciando a gravidade da situação.
Ausência do poder público gera críticas
Até o meio-dia, segundo relatos de moradores, nenhum representante da Secretaria de Obras ou da prefeitura esteve no local para prestar apoio ou buscar uma solução emergencial. A estrada, que é uma das principais vias de acesso ao distrito, ficou sob responsabilidade dos próprios moradores, que se mobilizaram para ajudar quem precisava atravessar.
O único ônibus que faz a linha Catingal–Jequié não conseguiu circular, deixando o distrito praticamente isolado. A situação reforça um problema antigo: quando chove, Catingal volta a viver os velhos tempos, onde a chuva determina o futuro do amanhã de cada habitante.
Chuva é bênção, mas falta ação
Moradores reconhecem a importância das chuvas para o sertão, principalmente para o abastecimento de água e para a agricultura. No entanto, criticam a falta de ações simples e rápidas do poder público.
Com uma retroescavadeira e um operador experiente, o problema poderia ter sido minimizado ou resolvido em poucas horas, evitando prejuízos e riscos à população. A ausência de uma resposta imediata levanta questionamentos sobre a estrutura de emergência e o planejamento da gestão municipal para enfrentar situações previsíveis durante o período chuvoso.
Enquanto a chuva representa esperança e vida para o sertão, a falta de presença do poder público transforma um momento de bênção em sofrimento para quem depende de infraestrutura básica para se locomover.



